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domingo, 19 de março de 2017

PROJETO ÂNCORA

       


     A trajetória do Projeto Âncora  teve início quando Walter Steurer e Regina Machado Steurer decidem, em setembro de 1995, atender jovens e crianças no contra turno da escola pública, oferecendo atividades de arte, cultura, esporte, lazer e cursos profissionalizantes para os maiores de dezesseis anos.
     Em 2002, o Projeto Âncora passou a oferecer reforço escolar e biblioteca e em 2007 surgem os Encontros de Educação com o propósito de complementar a formação dos professores da rede pública e estudantes de pedagogia da região.
     Em 2011, com a morte do fundador e percebendo que o projeto deveria se consolidar e se expandir, o professor José Pacheco, conhecido no Brasil devido a sua experiência na Escola da Ponte de Portugal, transformou o projeto em uma escola formal que passou a atender integralmente todas as crianças.
     Hoje, o Projeto Âncora é uma Associação Civil de Assistência Social, de natureza beneficente, filantrópica e cultural de fins não econômicos e não lucrativos, regida pelo Estatuto Social e está localizado em Cotia- SP.
   
Como funciona?

     Com um ensino focado na autonomia, o Projeto Âncora propõe formar verdadeiros cidadãos, estimulando valores como responsabilidade, respeito, solidariedade, afetividade e honestidade.
     A diversidade está presente o tempo todo, uma vez que não existem salas seriadas, mas um espaço de ajuda mútua onde todos estudam juntos, independentemente da idade. Além disso, não há professores em frente a uma lousa despejando conhecimento sobre seus alunos, o aluno se faz autor do seu conhecimento, estabelecendo roteiros semanais daquilo que precisa estudar de acordo com suas preferências e, ao final da semana, as atividades precisam estar finalizadas. No Projeto Âncora, existem os tutores a fim de orientar e dar suporte aos alunos para que atinjam seus objetivos. Por exemplo: é possível estudar a matemática por meio de um projeto de culinária. Nesse caso, o aluno ou aluna interessada deve procurar seu tutor para entender conceitos matemáticos necessários ao desenvolvimento do projeto (medidas dos ingredientes, frações, etc). Ou seja, a autonomia é o principal agente para o desenvolvimento do conhecimento.
     Apesar de não ser uma escola conteudista, o tutor é a pessoa responsável por orientar os estudos, ajudando o aluno na elaboração de seu roteiro de forma a adequar os conhecimentos necessários a ele. Aqui, considero importante salientar que não é uma escola focada nos exames vestibulares, mas na humanização. Portanto, o aluno que visa prestar algum vestibular concorrido, precisará de complemento após se formar na educação básica.
   Outro aspecto importante é o desenvolvimento do senso político, viabilizado pelo exercício da assembleia de alunos através da qual os alunos decidem de que forma organizarão o funcionamento da escola, além de discutirem melhorias para o espaço. As decisões ocorrem por meio do debate até que se atinja o consenso, fato que desenvolve a capacidade de argumentação. As decisões nunca ocorrem por meio do voto.

Espaços de Convivência



      No amplo terreno de 11 mil m², estão áreas verdes, quadras de esporte, circo, salas equipadas com livros didáticos e computadores, refeitórios, pistas de skate, salas de música, de dança e de artes e uma biblioteca com mais de dez mil livros.

     Infelizmente, o Projeto só atende a comunidade local, restringindo a participação de todos, mas vale contribuir para que centros educacionais desse modelo se expandam no Brasil.
     Desse modo, estar no local, ser recepcionada pelas crianças, perceber o respeito que têm um com o outro, saber que os pais e/ou responsáveis apoiam 100% e participam o máximo da rotina dos filhos, ouvir as histórias dos jovens que fizeram intercâmbio nas escolas de Portugal, enriquecendo sua visão a respeito de uma educação para a vida e, finalmente, agregar conhecimento às nossas práticas diárias na área da educação são aspectos que fazem valer a pena a visitação do espaço. 
     Visite o site e entenda um pouco mais sobre essa proposta e, se possível, agende uma visita com a equipe pedagógica: 

http://www.projetoancora.org.br/index.php?lang=port 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

NEUROCIÊNCIA: QUEM APRENDE?

     No campo educacional, os estudos da neurociência têm ganhado cada vez mais espaço por investigar os caminhos utilizados pelo cérebro para alcançar a aprendizagem. A partir desses estudos, sabe-se que é essencial considerar o fator emoção no processo de ensino-aprendizagem, uma vez constatado que o cérebro só aprende quando se emociona.
     Em uma entrevista realizada com Francisco Mora, médico espanhol reconhecido por seus saberes na área da neurociência, ele afirma que a neurociência gera muito mais perguntas do que respostas e que há muitas interpretações equivocadas nesse campo da ciência, interpretações essas chamadas de "neuromitos".
     A partir de seus estudos e de sua experiência, Mora acredita que a educação pode transformar-se a fim de tornar-se mais atrativa e mais efetiva, começando pela redução do tempo das aulas convencionais de 50 minutos que facilmente cansam os alunos, fazendo com que não consigam manter a atenção por muito tempo.

http://razaoemquestao.blogspot.com.br

     Uma das perguntas da entrevista questiona a importância da neurociência para o avanço da educação e o doutor responde que é preciso redesenhar nossos métodos de ensino, sempre levando em consideração práticas que estimulem a atenção e toquem o coração de quem aprende. Dessa forma, é possível despertar e manter o interesse dos alunos.
     Ao falar sobre as certezas da neurociência, Mora cita o momento ideal para a alfabetização, dizendo que a melhor idade para iniciá-la é aos seis anos, uma vez que antes dessa idade as ligações neurais ainda não estão prontas para receber tais informações, causando enorme sofrimento àquele que aprende aos quatro anos, por exemplo. Aqui, devo acrescentar que, para obtermos êxito em nossas práxis pedagógicas, é necessário nos desvencilharmos de qualquer método de ensino obscuro, que obrigue, que repreenda e que sacrifique o aluno. A educação deve ser, em primeiro lugar, prazerosa.
     Quando questionado sobre qual a principal mudança a ser feita no sistema atual de ensino, Mora segue firme falando sobre a afetividade. Ao destacar a curiosidade como fator substancial para a aprendizagem, o doutor nos deixa claro que é essencial mostrar o diferente, cativar o aluno, fazer com que ele se lembre de determinada aula, tocar-lhe a alma, o coração, fazê-lo sentir; aprender a aprender para nunca mais esquecer.
Iniciar a aula com algum elemento provocador, algo que fuja aos esquemas monótonos de ensino é um bom primeiro passo para começar a modificar suas metodologias. Além disso, lembre-se que a recompensa sempre foi muito mais eficaz do que a punição, desde o surgimento dos estudos comportamentais behavioristas.
     Uma das dificuldades ao aplicar a neurociência nas escolas é que esses estudos não funcionam como uma fórmula matemática pronta e acabada, mas como estudos constantes e contínuos. Por não entenderem essa ciência e não estarem preparados, muitos professores desistem de praticá-la, permanecendo desatualizados e detentores de práticas estagnadas.
     Para finalizar, Francisco Mora nos revela um dos neuromitos: não é certo que só utilizamos 10% do cérebro para realizar nossas atividades. Ele nos explica que não há como quantificar a utilização do cérebro, já que para cada novo problema enfrentado, utilizamos novos mecanismos de resolução, junto com os mecanismos já existentes. A expansão das nossas inteligências é um processo lento e contínuo, não há receita mágica para fazê-lo mais depressa.
    Francisco Mora é autor do livro "Neuroeducación. Solo se puede aprender aquello que se ama". 

http://aeajs.blogspot.com.br

   
    Leia mais em: http://economia.elpais.com/economia/2017/02/17/actualidad/1487331225_284546.html

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

TRANSPORTE ESCOLAR NO BRASIL

     
      A necessidade de educar começa no Brasil colônia com as missões jesuíticas, lideradas pelo Padre Manuel da Nobrega, no século XVI. A intenção era a de catequizar os índios passando-lhes os valores da sociedade europeia como forma de agir, falar e se comportar.

      Ao passar dos séculos, durante muito tempo, o sistema educacional brasileiro se resumiu às escolas rurais e universidades concentradas nas capitais dos estados. Diante desse contexto, o transporte escolar adotava veículos de tração animal e até mesmo embarcações, notadamente na região Norte por conta da bacia amazônica a separar escolas e comunidades distantes.

      Em resposta à revolução industrial e com a virada do século XIX, a importação de veículos automotores se fez intensa. As primeiras linhas de montagem de veículos no Brasil, em 1919 foram da Ford, seguida pela General Motors, em 1925. Ambas foram responsáveis pela popularização dos auto-ônibus e pelo surgimento dos primeiros fabricantes de carrocerias, tais como a Grassi, de São Paulo.

     Vale ressaltar que as carrocerias eram complementadas pelos encarroçadores das empresas Marcopolo, Caio, Neobus, Irizar, etc.

Ford AA- 1930 Imagem: http://owlshead.org/

      A partir da metade dos anos 1950 por conta da instalação de montadoras estrangeiras no país, consequência  do plano de nacionalizaçãodo governo federal, surgiram vários veículos utilitários julgados adequados à condução de estudantes, seja nas cidades ou no campo. Nesse momento, ganha destaque a Kombi, da Volkswagen, um verdadeiro símbolo do transporte escolar.

Volkswagen Kombi T2

    Embora a indústria brasileira estivesse crescendo, o transporte escolar seguiu por décadas na informalidade, devido a dificuldades econômicas do país e a falta de regulamentação. Entre charretes, automóveis de passeios e até mesmo caminhões, ocorreram muitos acidentes decorrentes de veículos pobres em segurança e conforto. O número alto de acidentes viabilizou a concretização de uma legislação específica para melhor adequar os veículos. A partir dos anos 1990 surgiram vans mais modernas como as Renault Trafic, Kia Besta, Asia Topic e Mercedes Sprinter 310D.

Imagem: http://www.wikiwand.com/    Kia 1988- 1997

      Ainda com o surgimento desses veículos mais novos, a Kombi continuou sendo a preferida por ter a mecânica mais simples e o baixo custo inicial.

      O programa “Caminho da escola”, instituído em 2007 pelo governo federal, chega com a intenção de padronizar e melhorar a qualidade do transporte escolar brasileiro. Os objetivos eram renovar a frota dos veículos, além de aumentar a segurança e qualidade, diminuindo assim, a evasão escolar dos estudantes da educação básica moradores da zona rural nas redes municipais e estaduais.

     Criado para resistir aos impactos das estradas rurais, os ônibus rurais tinham características próprias como balanços dianteiro e traseiro reduzidos para evitar o choque em vias esburacadas, estrutura do chassi e suspensões reforçadas para aguentar os impactos e dispositivo de bloqueio para melhorar a tração. Numa perspectiva inclusiva, esses ônibus também poderiam possuir elevador para cadeirante, respeitando a mobilidade dos alunos.

      No que diz respeito ao cenário urbano, os mini e micro-ônibus estão aos poucos substituindo as peruas, em busca do aperfeiçoamento de dois aspectos já comentados: segurança e qualidade, sem deixar de lado a flexibilidade econômica. Uma das marcas que se destacam é a Volare, tanto para necessidades urbanas quanto para rurais.

Imagem: http://www.rodoservice.com.br/  Volare




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Revista Veículos de serviço do Brasil, Editora Planeta DeAgostini, 2016